MUDANÇA DE ENDEREÇO

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31

de
março

Tudo passa; nada importa

 

Depois desse título de livro de auto-ajuda fiquei pensando em como deveria começar esse texto sem que parecesse um “manual do bem viver” ou “de como eu descobri o sentido da vida”. Mas, confesso que não consegui estabelecer o tom certo. Por isso vou fazer da única maneira que eu sei fazer as coisas: fazendo. E dizendo o quanto é difícil fazer, expondo meus tropeços e alegrias, mas fazendo.

Pensei em começar com alguma metáfora inspirada no zen budismo, mas não vou falar sobre algo que eu não conheço. Queria falar sobre a paz. A paz que a gente experimenta quando percebe, por alguns instantes que sejam, que simplesmente nada importa. Nada faz diferença. Nada tem sentido. Nada, absolutamente nada. E isso é ótimo. Pois diminui a pressão. Acaba com a busca incessante de respostas. Você descobre que não existem respostas. Essa é a única resposta. O que é um paradoxo em si mesmo, pois se a única resposta é que “nada tem resposta”, isso se torna uma resposta e contraria a afirmação anterior, mas…deixa pra lá. Não importa.

É claro que a gente precisa de um nível mínimo de respostas pra existência cotidiana. E de um número mínimo de perguntas. Na maioria das vezes a gente não encontra respostas para as grandes questões. Apenas aprende a fazer as perguntas de outra forma. Ou a fazer outras perguntas. Isso em tudo na vida.

O fato é que nada importa depois de algum tempo. Ou como diria um amigo do meu pai: “isso são Guerras Púnicas!!”. Quer dizer, algo tão distante como as Guerras Púnicas – fato que ninguém se lembra mais, logo a explicação de porque começou provavelmente não faz a menor diferença, pois eram outros tempos, em que a humanidade era de outra forma, cujos registros já foram totalmente apagados. É bom saber. Mas isso não mudará em nada a forma como se guerreia hoje em dia. E se nem a guerra do Vietnã, tão recente, não foi capaz de impedir a invasão do Iraque, por exemplo, pelos mesmos norte-americanos, o que dirá as Guerras Púnicas! Não se aprende com os erros do passado, necessariamente.

Depois de um certo tempo você aprende que nada é para sempre. E não há nada de mal nisso. Logo, nada importa. E se nada importa, o que importa é simplesmente o que a gente elege para se importar. Como o tal “sentido da vida” que eu dizia no outro post.

30

de
março

Nota de solidariedade às mulheres camponesas

 

(Reprodução de um e-mail recebido. Só para mostrar mais uma merda do governo Lula - que, além de não fazer nada pela reforma agrária, quando faz atinge as pessoas erradas)

"Está ocorrendo no Rio Grande do Sul uma situação absurda em que o Estado ao invés de defender os interesses da sociedade, coloca todas as suas instituições, especialmente as forças de segurança pública, a serviço dos interesses do grande capital. Nesse sentido querem transformar uma questão social num crime comum.

A manifestação das mulheres da Via Campesina, no 8 de março, teve como objetivo denunciar ao mundo os crimes ambientais e sociais das empresas que promovem o deserto verde, como a Aracruz. Elas agiram em defesa da vida, de uma forma de desenvolvimento rural que se baseia na agricultura camponesa, na reforma agrária, na preservação da biodiversidade e na construção da soberania alimentar.

A ação das mulheres provocou um debate mais crítico na sociedade brasileira e mundial sobre o agronegócio. Porque as empresas e a mídia vendem uma imagem de que grandes empreendimentos geram muitos empregos. Mas a Aracruz gera apenas 1 emprego a cada 185 hectares plantados com eucalipto, enquanto a agricultura camponesa gera no mínimo um emprego por hectare.

Estranhamente, ao invés de se preocupar em investigar as empresas, que com apoio financeiro dos governos, estão provocando destruição ambiental, desemprego e êxodo rural, concentração fundiária, entres outros crimes o Estado do Rio do Sul se apressa em achar um culpado ou culpada para ação contra o deserto verde.

A arbitrariedade com que agiu o delegado de polícia Rudimar de Freitas Rosales (delegado de polícia de Camaquã) acompanhados de seis agentes policiais , na casa da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais, em Passo Fundo, demonstra que objetivo das investigações policiais não é esclarecer fatos, e sim incriminar lideranças, e dessa forma negar a legitimidade da luta coletiva realizada por mais de 2 mil mulheres contra o deserto verde.

Eles chegaram por volta das 14 hs, arrombaram o portão, invadiram o espaço da Associação com armas de fogo na mão e renderam sete mulheres e uma criança que ali se encontrava encurralando-as para o espaço da cozinha. Sendo questionadas de forma veemente as mulheres não estavam entendendo o que estava acontecendo, pois os policiais não haviam se identificados e se apresentado e nenhum mandado até aquele momento, somente após um tempo é que mostraram o mandado de ingresso expedido pelo Juiz DR. SEBASTIÃO FRANCISCO DA ROSA MARINHO.

A arbitrariedade foi tamanha que as mulheres só tiveram permissão para contatar com o advogado 1 hora e 20 minutos após a invasão. A busca não se deteve à secretaria da associação, revirando todo espaço (cozinha, área de serviço, quartos, as sacolas das mulheres, espalhando tudo no chão).

Levaram os CPUs dos computadores, CDs, disquetes, passagens urbanas e interurbanas, dinheiro, talões de cheques, todos os documentos da Associação, pastas com os projetos e prestações de contas, cadernos e anotações, símbolos da Associação e nem fizeram uma relação do que foi apropriado pela polícia.

Além disso, a polícia invadiu, sem mandado judicial a sede da Associação Nacional de Mulheres Camponesas, que funciona no andar inferior da Associação estadual e tem entrada por outra rua.

Na sede nacional os policiais humilharam a funcionária e uma mulher que estava no local, arrombaram gavetas, levaram dinheiro, passagens urbanas e interurbanas, CPUs, disquetes e cd´s. E esse material foi apropriado pela polícia sem nenhuma ordem judicial.

Ainda sem a presença do advogado, o delegado fez a intimação para que todas se apresentassem para depor, ainda na tarde do dia 21/03, obrigando-as a assinar a intimação e forçando-as para depor sem a presença do advogado.

Somente com a chegada do advogado, foi que as mulheres puderam ir ao banheiro e passaram a ser tratadas como seres humanos. A atitude do delegado e dos policiais desrespeitou não apenas os direitos humanos como revelou o machismo da instituição, pois só diante da presença masculina passassem a respeitar as mulheres. Reafirmamos a luta pelos direitos humanos, especialmente das mulheres trabalhadoras, que estão sendo agredidas por defender a vida, a biodiversidade, a soberania alimentar da população brasileira"

Via Campesina – Brasil 22 de março de 2006

29

de
março

Troféus - semana de 22/03 a 29/03

 

Dessa vez tive mais facilidade para troféus positivos do que negativos:

Anjinho feliz:

 - Show do Cachorro grande, sábado no Circo Voador.

 - Filme "Ponto Final - Match Point" de Woody Allen.

 - A "Revolução Francesa" atual. Em países sérios como a França, por muito menos do que acontece aqui no nosso, pessoas de todas as idades estão saindo às ruas e quebrando tudo…Ontem pararam tudo numa greve geral que reuniu mais de 1 milhão de pessoas contra a lei do primeiro emprego. Em 1995 fizeram a mesma coisa contra  reforma da previdência e o governo teve que voltar atrás. E outra greve já está marcada.

No Reino Unido um milhão de servidores públicos também pararam em protesto contra a lei da idade mínima de 60 anos para aposentadoria. Na Grécia e Alemanha paralisações também pipocaram.

E é claro que nessa confusão tem muita gente se aproveitando pra saquear e assaltar. Descendentes de árabes, de africanos; todos os que vivem à margem da sociedade francesa - literalmente, nas periferias da cidade - se aproveitam da confusão. O "lixo da globalização" como diz Bauman. Sem querer defender a violência mas já defendendo, fica difícil dizer que eles estão errados. Aqueles a quem se devem muitas coisas…Isso não ia durar pra sempre. Aliás, aqui no Brasil isso também não vai durar pra sempre. Se até o feudalismo durou 1.000 anos mas sucumbiu, tudo isso que aqui está também passará. E eu, como diria Mário Quintana, passarinho! Iamgens das manifestações francesas:

Diabinho de ouro:

 - Deputada gordinha do PT-SP Ângela Guadagnin fazendo dança do escárnio em comemoração à absolvição do também deputado do PT João Magno do PT-MG. Lamentááável.

 - A descoberta de que o sigilo do caseiro Francenildo da Costa Santos foi violado a mando do ministro Palocci. Inconcebível. E a gente ainda segue a vida tranquilamente…

 - Lula. Delirula. Lula delirante. Até quando ele vai fingir que não é como ele?? Ei, eu votei no senhor!! O mínimo que eu merecia era uma explicação! Em outros países, o senhor apanhava na rua.

29

de
março

A vida e o caos

 

Tenho conversado com muitas pessoas a respeito da falta de perspectivas. Pessoas diferentes, por motivos diferentes, de idades e profissões diferentes. Pessoas que, simplesmente por raciocinarem, de repente pararam e se perguntaram: e agora?

Respostas fáceis não me interessam. Viver a vida simplesmente às vezes não basta. Hoje não tenho nada a dizer a ninguém. Será que algum dia tive? Apenas escrevo. E descrevo. Pessoas, a mim mesmo e ao mundo a minha volta.

Queria dizer tanta coisa pra tanta gente…mas tudo já perdeu o sentido. As pessoas e as palavras. Simplesmente, de repente…nada importa. Apenas esse instante. Essas palavras.

Escrevo num jorro absurdo de palavras sem saber sequer se publicarei isso em algum lugar. Mas o pior é que a fantasia de ser lido nunca deixa quem quer escrever. As palavras brotam ininterruptamente e eu deixo. O que eu queria dizer sobre as pessoas talvez se traduza em mim mesma. E eu não sei o que quis dizer com essa frase.

Ontem assisti “Capote”, filme que concorreu ao Oscar e deu o prêmio de melhor ator ao protagonista. O filme fala sobre o escritor Truman Capote, “responsável” pela criação do chamado “new jornalism” norte-americano, caracterizado por ser um tipo de jornalismo mais literário, devido ao seu não compromisso com descrições neutras e imparciais. Ele, ao lado de Tom Wolf e outros jornalistas da década de 60, são tidos como grandes alavancas desse estilo de jornalismo que andava esquecido desde Balzac, Flaubert, Victor Hugo…

Esse estilo se contrapõe, por exemplo, ao jornalismo que é feito na maioria das TVs e jornais do mundo todo, onde os jornalistas acreditam em uma verdade única e inabalável dos fatos e que é possível reproduzi-la fidedignamente. Nelson Rodrigues genialmente apelidava estes últimos de “os idiotas da objetividade”.  Por causa dos idiotas da objetividade eu desisti do jornalismo. Por causa de Capote e Nelson Rodrigues eu quis ser jornalista (embora não soubesse quem era Truman Capote aos 17 anos). Quis ser jornalista por acreditar que isso me levaria a literatura. Ao mesmo tempo acho que a literatura me trouxe de volta ao jornalismo através dessas crônicas neste blog…(hoje estou muito reticente…).

Voltando a Capote. O filme conta o processo de escrita do livro “A sangue frio”, que retrata dois homens que matam uma família no Alabama. Capote fica completamente fascinado por um dos personagens, criança problemática que cresce junto a um ambiente igualmente problemático – assim como o próprio Capote. Uma das frases ditas pelo jornalista me impressionou deveras: “Nós dois fomos criados dentro da mesma casa. Só que ele saiu pela porta detrás e eu pela da frente”. (Sim, caro leitor! Eu também tento sair pela porta da frente! Mas às vezes a vontade de quebrar uma janela é enooooorme). Condenados a morte, os assassinos viriam a ser enforcados em 1965, tendo cometido o crime em 1959. Durante todo esse tempo Capote não termina o livro, ficando a espera do resultado das inúmeras apelações feitas pelos advogados dos caras.

A impressão toda do filme é que Capote "usou" o sujeito pra escrever uma das maiores histórias da América – o livro tornou-se um sucesso absoluto, influenciando a forma de se fazer jornalismo e abalando profundamente o próprio Capote, que nunca mais conseguiria terminar nenhum livro. Mas ao mesmo tempo, esse “uso” aparece como extremamente legítimo. Deixa claro que todos nós usamos, em maior ou menor grau, as pessoas.

Na verdade, Capote se apaixona pela possibilidade de escrever um grande livro. E talvez de, com isso, ver o seu próprio reflexo. E não é isso que nós fazemos a maior parte do tempo? Apaixonamo-nos por nós mesmos através dos outros. Nosso reflexo nos olhos dos outros é às vezes mais atraente do que os próprios olhos de quem nos vê. Como Narciso, precisamos nos aproximar cada vez mais deste reflexo – e que é sempre mais belo do que somos, pois é filtrado pelas lentes dos olhos de outrem.

E a arte não é isso afinal de contas? “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente”. O artista finge o sentimento a tal ponto que ele mesmo não sabe o que é real. Ou, de outra forma: mesmo na dor tem a capacidade de olhar de fora para que aquilo sirva de material. Como um médico que, fascinado pela doença, esquece até mesmo do próprio paciente, ainda que o objetivo final seja a cura deste paciente.

Outro filme a que assisti essa semana foi “Match Point – Ponto final”, de Woody Allen. Bom, Woody Allen pra mim é o mestre supremo, ao lado de Tarantino. Tudo, absolutamente tudo o que ele faz me toca profundamente, pelas mais variadas razões – seja pelo seu senso de humor negro (aquele humor judeu auto-sacaneante do qual eu me sinto profundamente devedora); seja pelo humor non-sense de alguns filmes (principalmente os primeiros); seja pela forma engraçada e angustiada pela qual ele faz as principais perguntas da humanidade: qual o sentido da vida, o que é o amor, devo ou não devo trocar o carpete da sala…

Esse filme fala sobre acaso. Sorte. Em como o ser humano tem medo de admitir o quanto da sua vida é aleatório. No final das contas o que importa é: ter ou não ter sorte. Toda sua vida pode mudar num piscar de olhos em função de um pequeno detalhe. Você luta a vida inteira por uma coisa e a vida te leva pra outros lados. Isso não quer dizer que não se deve trabalhar e aproveitar as oportunidades. Apenas considerar que simplesmente não se tem o controle de tudo. Ou melhor: de quase nada. E é esse o tema das grandes tragédias gregas, outra vertente que Allen brinca em diversos filmes e neste particularmente. E se o acaso tem uma força tão peremptória e arrebatadora, pode-se objetar se ele não é apenas o seu amigo, o destino. Acaso ou destino: não se pode fugir a nenhum dos dois e pouco faz diferença em qual acreditamos.

Einstein dizia que “Deus não joga dados”, contrariando teorias que atribuíam a criação do Universo a um simples acaso. Sei não. Pra mim Deus joga dados, sim. E teorias como a do Caos que explicam a formação do Universo fazem crer que tudo não passa de uma piada na mente de Deus. E acho que isso não invalide nem desrespeite a Hipótese-Deus de maneira alguma. Somente acho que Deus tem um senso de humor meio Woody Allen.

E voltando ao início desse post, sobre momentos em que a vida parece não ter sentido…bom, ela realmente não tem sentido. Adoraria dar outra resposta. Ao mesmo tempo, se ela não tem sentido, o sentido pode ser o sentido que a gente dá. E eu me sinto muito, muito feliz, pois pela primeira vez na minha vida tudo que eu faço parece ter cada vez mais sentido. Cada vez eu esbarro mais nos meus essenciais. Saúde, amor, família, dinheiro, trabalho, amigos; tudo isso aumenta(ria) minha felicidade em maior ou menor grau. Mas são supérfluos. São acessórios. Lindos acessórios que enfeitam a vida e ajudam de forma inacreditável. Mas tento não me prender a eles, mesmo sabendo que é impossível. Aliás, tento não me prender nem mesmo a um só sentido. Viver é reinventar sentidos a todo o momento.

29

de
março

Ainda sobre fantasmas…

 

Fantasmas

(Cachorro Grande)

Tenho fantasmas na minha casa/ Que não superam suas mágoas

Que não querem ir embora / (Que nunca vão descansar)

Acham que não era a hora/ (De ir pra outro lugar)

Dizem que são transparentes / Que atravessam as paredes

Que não querem ir embora / (Que nunca vão descansar)

Acham que não era a hora / (De ir pra outro lugar)

Eles derrubam nossos copos / Não acreditam que estão mortos

E assustam muita gente / Que não quer acreditar

Sinto o peso em minha costas / Não consigo respirar

28

de
março

O estranho mundo de Alien

 

Estranho. Estranho mundo, estranho. Diferente de mim estou hoje. Uma nostalgia e uma melancolia não necessariamente ruins. Saudade de ainda ter que esperar durante muito tempo por algo que eu nem sei o que é. Talvez seja por mim mesma em algum futuro distante.

Sinto-me privilegiada por poder sentir todas as coisas e ter palavras – ainda que poucas – através das quais posso tentar me exprimir. Mas quase sempre meto os pés pelas mãos e termino no tatibitati. E preferiria não sentir todas essas coisas e não ter que explicá-las. Mas não me foi dado o poder de escolha. Sinto-me privilegiada pelos livros, autores, escritores, pessoas; pelo mundo estranho e absurdo que existe a minha volta.

Pessoas passam. Pessoas são estranhas. Estranhas pois não são eu. São outros. Centenas de universos paralelos que transitam por aqui. Eu sou estranha. Mais estranha que o mais estranho dos seres. Estranha porque eu sou eu. Olho no espelho e penso se a imagem que eu vejo corresponde ao que sou de fato. E se corresponde ao que os outros vêem. Estranhos são os outros quando eu me estranho. Eu me estranho quando vejo os outros. Estranhando eu vejo. Aos outros. A mim.

Criei uma imagem de algo que eu sou – e que é apenas um lado de mim – e me sinto compelida a corresponder a essa imagem. Do contrário, podem não me reconhecer. Do contrário, posso não me reconhecer. Sou o espelho de mim mesma. As opiniões alheias se refletem em mim mesma segundo uma imagem que só eu vejo. Espatifo imagens do meu próprio espelho. Cato os cacos e vejo partes pequenas de mim. Meus eus multiplicam-se na medida em que se dividem. Mas fica cada vez mais difícil quebrar os cacos menores.

27

de
março

Cachorro Grande - Show: crítica

 

Bom, como eu dizia no outro post, são poucos os programas que me tiram de casa no momento. Sábado foi um desses programas. Show do Cachorro Grande no Circo Voador. Muito, muito legal.

O que eu gosto no Cachorro Grande é que eles não tentam ser originais nem modernos. Eles são um cover de um monte de coisas que existem, mas um cover honesto. Cantam músicas suas, em geral com letras simples e acordes idem. Mistura de Mutantes com Beatles e uma performance que lembra o The Who, misturada com Led Zeppelin e toques de Stones. Ou seja: it’s only rock’n’roll, but I like it.

Fomos eu, Dani, minha quase muito amiga Fernanda e seu namoradinho André “Mr Big” (no maior respeito, hein Nananda?). Após algumas cervejas no Arco Íris da Lapa fomos para o Circo Voador. Nunca tinha ido lá depois dessa reforma (e muito menos nos anos 80, já que eu era criança nessa época). Gostei muito do lugar. Ainda mais porque, não sei se em função do show em questão não estar lotado, pude me movimentar com mobilidade sem ser espremida por uma massa feroz. Tiveram duas bandinhas abrindo o show deles. Uma tal de Cascadura, horrível! Mistura de Detonautas com CPM 22 e outras bandas dessas que pra mim soam todas iguais. Depois teve show do Canastra, essa sim, uma grande banda, cujos integrantes tocam um som difícil de definir, talvez um rockabilly meio Elvis na fase havaiana com pitadas ácidas. Sei que lá pelas tantas o cara do baixo acústico (aquele baixo enooooorme) deitou no chão com o instrumento e o guitarrista subiu naquela curva do baixo e ficou solando. A platéia foi ao delírio.

Após algum tempo – que eu não sei quanto exatamente pois já havia tomado algumas cervejas – entraram os Cachorros. O que se seguiu foram vários minutos – também não me lembro quantos – do mais puro rock. E pelo clima de tranqüilidade reinante podia-se chegar com facilidade ao palco. Eu, já em avançado estado etílico, jogava objetos inofensivos, como copos plásticos, no vocalista. Este respondia sempre simpaticamente mandando beijos ou fazendo caretas como essa, que registrei em meu celular:

 

O guitarrista, um dos membros (com duplo sentido) mais bonitos da banda (juntamente com o baterista), nos intervalos entre as músicas ia em direção à coxia onde um roadie o esperava com uma singela garrafa de Red Label, cujo conteúdo era sorvido em generosas doses cowboy. Mais rock’n’roll impossível. O vocalista rodava o microfone, dava pulos no ar numa performance realmente invejável. Isso tudo com aquele visualzinho dos Beatles dos primeiro discos: terninho e chapeuzinho.

Ano passado assisti uma entrevista dos caras no Jô, onde eles contaram que durante um show o guitarrista resolveu jogar a guitarra pra cima, mas ao invés de pegá-la, esta caiu-lhe sobre sua cabeça, produzindo um jorro de sangue espetacular e não impedindo a continuação do show – para o delírio da platéia que achou que fizesse parte do show. Meu primo Júlio e nosso amigo Kadu foram a um show deles em Juiz de Fora, no Cultural – barzinho maneiríssimo onde só se toca rock. Devido a pouca quantidade de gente, os caras ficaram tranqüilamente zanzando entre a platéia – e sendo perturbados pelo meu primo que, já alcoolizado, dava pequenos tapas no boné de um deles.

Acho que esse é o grande mérito do Cachorro Grande: não têm muitas pretensões. São aqueles caras legais que se reúnem pra tocar e se divertir e que poderiam tranqüilamente serem seus amigos. Tentei entrar no camarim, mas quando me vi disputando a atenção do segurança juntamente com aquele professor de “Malhação” de cabelos vermelhos e crespos – e por sinal mala pra caralho – pensei comigo: tenho mais o que fazer da vida. Mesmo porque meus cabelos também são vermelhos. E lisos.

Lobão também estava na platéia, de xuquinha no cabelo. Achei melhor não entrar em contato com ele, pois certamente seria muito ego pra um só lugar.

Enfim: showzaço.

Mais fotos:

26

de
março

Eu não tô legal…

 

Não aguento mais birita!

Amanhã crítica e foto do show do Cachorro Grande, que aliás, foi do caralho.

25

de
março

Daí eu páro e penso: pra quê sair?

 

Ando num dilema atroz. Queria querer sair à noite. Queria querer estar “animada” nesse sentido. Mas quando eu paro e penso que a rua vai estar quente, cheia, lotada de “gente bonita” (odeio essa expressão); que eu provavelmente vou tomar alguns chops; ver algumas pessoas interessantes que não me darão bola; tomar cantadas de outras pessoas que eu não estou nem um pouco interessada e voltar pra casa doida pra ver se eu ainda pego a reprise de C.S.I. na Sony com aquele negão de olho verde MA-RA-VI-LHO-SO daí eu penso: então, pra quê sair?

Gosto de sair quando é algum show, algum filme ou algum evento específico que eu vá e curta. Mas cada vez são mais raros os shows que me dão vontade de ir. Acho que por fim meus amigos vão simplesmente desistir de me chamar pra sair. Sou estranha. Eles sabem que sou estranha, por isso não ligam – espero. Mas sei que amizade é uma plantinha – que meigo – que a gente tem que regar e cultivar. Mas penso que se minhas amizades não resistirem a isso, então não são amizades.

Sempre que me dá vontade de sair eu penso no meu computador que agora tem banda larga e eu posso fazer milhares de coisas e conhecer várias pessoas, penso na minha TV com sei lá quantos canais, nos meus livros que eu ainda não li, na minha cama me chamando “veeeenha, veeeeenha”, daí eu penso: pra quê sair?

Entendam bem: quando eu digo sair, digo toda a pressão envolvida no ato de sair. Tipo, se arrumar, sair, beber, “ver e ser vista”. Não tô falando naquele chopp que você toma na esquina depois do trabalho, descontraidamente. Tô falando num tipo de saída específico em que “todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite”. Daí eu penso: pra que sair?

Pode ser que eu esteja “ficando velha” - o que quer que isso signifique pois era muito mais velha aos 15, aos 10 anos do que hoje - pode ser que eu esteja mais rabugenta do que de costume; podem ser várias coisas. O fato é que eu saio desde os 13 anos. São 16 anos de ócio noturno em mesas de bares e noitadas e ficadas e etc etc etc. Chega. Tá bom, né? Quero fazer outras coisas da vida. Quero ir pra um retiro espiritual no Tibet. Quero fazer uma viagem de meses pelo mundo afora. Quero escalar o Himalaia. Quero sair num veleiro que nem o Amyr Klink. Quero ver o deserto. Quero morar num vilarejo no Japão sem energia elétrica. Sei lá. Quero ser diferente de mim mesma e das pessoas a minha volta. Daí eu penso: sair pra quê?

As pessoas dizem que eu não vou conhecer ninguém ficando em casa. Mas eu me pergunto se eu realmente quero conhecer o tipo de gente que se conhece na night. Quer sua night seja na Lapa ou nas boates mauricinhas tá todo mundo sempre dentro do seu próprio personagem. Inclusive eu. Será que é possível não estar? Daí eu penso: sair pra quê?

Sei que metade do problema é meu que coloco sempre muitas expectativas em cima das coisas e espero que os dias (e as noites) sejam sempre ultra mega maxi super incríveis (depois ainda dizem que eu sou pessimista; mas é justamente aquilo que eu dizia que o pessimismo e o otimismo acabam sendo faces da mesma moeda; yin e yang; preto e branco). Daí eu páro e penso: pra que sair?

Hoje tem show do Cachorro Grande no Circo Voador. Daí eu paro e penso: aí, sim! Eis um bom motivo pra eu sair. Simplesmente por ir, pra curtir o som deles que eu realmente gosto e tomar algumas cervas geladas. E só.

[E também não acreditem em tudo que eu digo, não. Nem eu mesma acredito].

24

de
março

Fantasmas só fazem “boo”

 

Definitivamente eu joguei pedra na Cruz. Ou, como diz uma amiga minha, fui aquela que gritou: “não amarra, não, prega!”. É a única explicação. Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece. Ou, como diria uma outra amiga: “tô cagada de urubu”.

Sabe…tipo… fantasmas? Você está calmamente no seu canto e aparece um fantasma e faz “boo” em cima de você? Aí você leva um susto. Tenta entender. Mas não tem nada pra entender! Fantasmas são fantasmas. Pronto. Só isso. Vêm te perturbar, mas só querem fazer “boo” e nada mais. Vampiros sugam seu sangue. Lobisomens te comem (sem duplo sentido). Fantasmas só fazem “boo”. Só assustam as pessoas. Mais nada.

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