MUDANÇA DE ENDEREÇO

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30

de
abril

O que é Lula??

 

O que é Lula falando hoje, véspera de dia do trabalhador, dizendo que " a vida de todo mundo está melhor"?

O que foi Lula dizendo na convenção do PT em SP que "fez mais pelo trabalhador do que qualquer outro na História do mundo"? (me deu vontade de perguntar se ele já tinha ouvido falar num sujeito de nome Getúlio Vargas, que criou uma tal de CLT, só pra ficar em terreno nacional).

O que é Lula se aliando com PP, PPS, PQP, FDP… e todos os outros partidos que participaram do Mensalão? O que é, meu Deus?

O que é Lula falar que nosso sistema de saúde é "quase perfeito" e no dia seguinte sair no jornal que o hospital Gafrée Guinle, referência no tratamento de AIDS no mundo todo, não tem remédio pra dar pros pacientes?

O que é a UERJ em greve assim que termina a greve das federais? O que é professores de rede pública em greve? E o que é o Lula, cagando pra tudo isso?

Algumas hipóteses:

A) Lula desenvolve uma esquizofrenia do mais alto grau e vive numa realidade paralela;

B) Lula é muito burro;

C) Lula é muito cara de pau;

D) Lula tá sendo enganado por toooodo mundo;

E) Todas as anteriores.

Quando teremos o nosso "V" para nos salvar de nós mesmos? Ih!! Já tivemos! E não adiantou de nada. Acho que sobrou pra nós mesmos. 

"Remember, remember…". Voto nulo.

 

30

de
abril

Cinco pentelhices (quer dizer, nove)

 

Cinco coisas chatas:

1) Ter que fazer o que não se gosta;

2) Ter que ser gentil com quem não se gosta;

3) Ter que ouvir gente burra criticar o seu trabalho;

4) Ter que ser agradável quando se quer dar um soco na cara da pessoa;

5) Aguentar pessoas arrogantes;

6) Não te entenderem;

7) Não te levarem muito a sério;

8) Te levarem a sério demais;

9) Se meterem na sua vida

28

de
abril

“V de vingança”

 

Ontem assisti à V de Vingança – baseado num super-herói dos quadrinhos - no cinema. O filme é choque de 220 volts. Não por trazer coisas muito novas – afinal, o que pode ser novo? Ao contrário, por trazer coisas absolutamente velhas.

Vamos ao enredo: numa Inglaterra futura, um regime totalitário de direita restringe a liberdade do cidadão comum e das demais nações com a justificativa de controlar a expansão terrorista. Algo familiar? Pois é. As semelhanças com o governo Bush não param por aí.

Neste cenário assustador, “V” é um personagem mascarado, fascinante e assustador, que luta contra o governo e é tido como terrorista. O filme também mostra a relação entre ele e Evye (Ãhn? Ãhn? Pegaram? Evye-Eva. Primeira mulher de um novo mundo).

O filme é um soco no estômago dos norte-americanos. Mostra como a perda de algumas liberdades aqui e ali, em nome de uma suposta segurança, pode custar caro. Faz com que um belo dia as pessoas achem normal existir toque de recolher e que suspeitos sejam mortos antes de interrogados. Só que um dia, o suspeito pode ser você.

Muito legal a história do próprio governo envenenar uma escola primária e forjar um ataque terrorista para, desta forma, ter o aval da população para cercear a liberdade. Alusão direta aos atentados de 11 de setembro, que, como já se sabe, não só eram do conhecimento da Casa Branca, como há quem – como o Michel Moore, por exemplo – fale sobre a ligação entre a família de Osama e Bush. O motivo? Com os atentados Bush teria uma justificativa pra invadir o Iraque e controlar o petróleo.

Interessante como o filme trabalha a questão da história como um processo – que às vezes dura 400 anos, como no filme – e não causas e conseqüências isoladas. Certas idéias, aparentemente desgastadas, podem ser revistas de tempos em tempos. Outras idéias, de tão arraigadas em nossa sociedade, parecem eternas. Aprendemos que o terrorismo  e a violência devem sempre ser combatidos e que a propriedade privada é sagrada. No entanto, o governo não pensa duas vezes antes de passar a mão na nossa grana (seja como Collor fez com as nossas poupanças, seja através de impostos que deveriam servir para nossas necessidades básicas), de invadir a casa do pobre que mora na favela sem mandato e baixar o cacete. Tudo isso em nome de uma suposta liberdade. Desde que o seu dinheiro compre, é claro.

Eu me pergunto: se você precisa trabalhar para viver – e de uma forma completamente opressora - onde está o seu direito de ir e vir? Se você aprende que precisa trocar de carro anualmente, parecer o mais jovem possível, ganhar o máximo de dinheiro possível, tentar ser sempre o melhor, onde está a sua liberdade?

Aprendemos que notícia é uma coisa que aconteceu e os meios de comunicação apenas divulgam-na de forma imparcial. Mesmo que os discursos possam assumir diferentes formas e moldar significados, ou que as notícias sejam deliberadamente inventadas – como é o caso do filme – é isso que pensamos ao ler um jornal e é isso que nos ensinam nas escolas de jornalismo. Hilária a associação entre a CNN (empresa de comunicação norte-americana) e a BTN (empresa de comunicação no filme), junto com a frase do editor chefe: “quem vai duvidar de nós?”.

Na cena em que o laboratório onde são realizadas experiências genéticas em seres humanos (uma referência clara ao nazismo) pega fogo, aparece a cientista chorando, por anos de pesquisa jogado fora. Me lembrei da invasão das mulheres da Vila Campesina, do MST, ao laboratório da Aracruz, empresa responsável pelo projeto Deserto Verde. Também havia um cientista chorando pelos anos de pesquisa jogados fora.

A referência ao anarquismo é clara já no símbolo utilizado pelo herói: a forma com que ele escreve o "V" é bastante semelhante ao "A" do anarquismo (de vermelho, círculo redondo atrás). Anarquia, ao contrário do que reza o senso comum, significa, em linhas gerais, a ausência de governo e a possibilidade de uma sociedade de autogovernar. Sem políticos. O filme deixa claro que nenhum povo precisa de governo – seja ele de esquerda ou direita. Que todo poder corrompe. E que, uma vez corrompido, é cada vez mais difícil retroceder.

Fiquei pensando na idéia também explorada pelo filme de que algumas causas são mais importantes que a própria vida. Acho que ninguém em sã consciência acorda de manhã pensando: “puxa, hoje está chovendo e eu vou morrer por uma causa”. Entretanto, às vezes certos acontecimentos de cunho individual te levam a determinadas escolhas em que não há mais sentido em retroceder.

A tônica do filme é que a liberdade e a democracia são valores que estão sendo usurpados de seu real significado dia a dia, em nome da segurança de todos, mas que na verdade isso é feito em nome da ganância de alguns. E a gente vai tendo que se adaptar. E introjeta determinados valores. “É a realidade”. “É a globalização”. Aprende que política se faz com concessões e alianças, e que os fins justificam os meios – e quando menos percebe, vendeu sua alma ao diabo.

Mas algumas pessoas simplesmente dizem “não”. Ainda que elas não vejam o resultado de suas lutas, é o ato de lutar em si que importa. É este o sentido de suas vidas. O importante não é fazer que uma idéia dê certo. É simplesmente ter uma idéia. E lutar por ela. E a política se faz de várias formas, no dia a dia de cada um de nós.

Engraçado é que o Jornal Hoje, da Globo, mostrou a história de uma mulher que mora há 20 anos numa barraca em frente a Casa Branca. Ela faz protestos diários contra o uso de força nuclear, vive dos panfletos que vende na rua, não têm dentes, previdência, nem patrão. Acessa a Internet da casa de uma amiga e é muito mais informada que muita gente que tem mestrado.

No mesmo jornal, outra notícia: o Irã disse que não irá interromper seu programa de energia nuclear, contrariando a resolução da ONU (engraçado que, quando Bush contrariou a ONU pra invadir o Iraque, beleza, né?). Bush, em contrapartida, afirmou que caso o Irã não ceda, os EUA vão bombardear o país com… armas nucleares! Que eles não querem que o Irã tenha!

O que os protestos dessa mulher mudarão na História? Nada. Ela mesma diz que nenhum presidente nunca mandou ninguém falar com ela – curiosamente ela é vigiada discretamente por guardas. Mas talvez o fato dela estar ali lhe traga uma coisa que dinheiro definitivamente não compra: paz. Dignidade. E já notaram que quanto menos você tem, menos precisa? Pra algumas pessoas, isso é mais importante do que o conforto. Ou melhor: isso é o conforto. Um verdadeiro luxo ser dono da sua própria alma. Há quem não se importe com isso. Mas eu me importo. Conheço muita gente que se importa. E só não sabe o que fazer. Bom, sonhar ainda não foi proibido, né?

Nossa vida é muito pequena no curso da História. Por que uma Nova Ordem Mundial não pode ser pensada por nós – algo diferente do capitalismo e do socialismo – para que, quem sabe, daqui a muito tempo alguém possa aproveitar? Por que não podemos pelo menos pensar nisso? Pensar não adianta nada? Mas uma coisa pra acontecer tem que ser primeiro arquitetada no cérebro. E pensar é isso: arquitetar as coisas no cérebro.

Por fim (ufa!) só queria dizer pra vocês não perderem esse filme. Ele pode mudar a vida de vocês. Ou, no máximo, pode ser um alento. Nesse mundo de correr, correr, correr em nome de valores que ouvimos desde sempre, cabe a pergunta: são nossos valores mesmos?

Recomendo contra os males do mundo moderno: V de vingança.

E nas próximas eleições: V de Voto Nulo. Não que vá mudar algo. Mas eu preciso ficar em paz com minhas escolhas.

27

de
abril

Bruna Surfistinha para dePUTAda!

 

O trocadilho é infâme, mas eu não resisto. Fiquei ontem até 3 da madrugada no site - era um blog, agora é site - da Bruna Surfistinha (www.brunasurfistinha.com). Zenti, Bruna Surfistinha é o que há! Sugestão de tema para monografia de fim de curso de alunos de comunicação: "O fenômeno midiático Bruna Surfistinha: estratégias pan-mídia de comunicação" (para os de jornalismo) e "Bruna Surfistinha: auto promoção e vendas" (para a galera de publicidade). Ela tem blog, que virou site, que virou livro, que virou audiobook, que vai virar filme! Ela foi entrevistada por Marília Gabriela (vai ao ar em junho)  e pelo Jô (não sei se já foi ao ar). Hoje saiu uma matéria no The New York Times com ela! Tô bege. É o que eu digo: temos que exportar tecnologia.

E pensando nessa idéia resolvi lançar a campanha "Bruna Surfistinha para dePUTAda!" Já que o que eles fazem na Câmara, no Congresso e no Senado é isso mesmo, por que não colocarmos alguém que entenda do negócio? Tô, brincando, Bruna. Não quis ofendê-la comparando-a aos deputados. Pelo menos você só vende o que é seu. Já tenho até slogan: "Bruna Surfistinha: essa entende do negócio". Acho que farei camisetas com isso. Pena que as eleições já não são em cédulas de papel. Se não ia escrever bem grande.

A história de Bruna Surfistinha tem tudo pra DAR certo. É a narrativa clássica da puta que se redime por um grande amor. Bíblica, eu diria. Tenho que adquirir meu volume de "O doce veneno do escorpião" djá!

Bruna (na verdade Raquel) não completou o segundo grau. Mesmo assim escreve muito melhor do que vários dos meus ex-alunos de jornalismo. Como diria um amigo de papai "primário bem feito é tudo na vida de uma pessoa". Bruna sempre estudou em colégios de classe média alta de SP. Hoje em dia faz supletivo, quer prestar vestibular e aprender informática e inglês.

Adorei o item "planos para 2006". Me identifiquei com vários. Será que é por que eu também sou de escorpião, como ela? Em vários momentos ela diz "quem é de escorpião sabe". Sim, Bruna, eu te entendo.

Um dos itens é: ler três livros por mês. Não, Bruna. Não é a quantidade nem o tamanho dos livros que importam, mas sim o prazer que eles proporcionam. No máximo são bons para impressionar.

Aliás, li matérias excelentes sobre blogs como estratégias empresariais. Um cara foi lesado nos EUA por uma empresa de computadores e colocou tudo no blog dele. A empresa teve o maior prejuízo. Hoje em dia vários  executivos já tem os seus blogs. Empresas mapeiam o orkut e os blogs pra ver produtos que são detonados ou enaltecidos.

O cara do blog CocaDaboa foi "exportado" pra SP. Vários de seus boatos já colaram até em jornalistas como Ancelmo Góes. Agora ele "vende" boataria pra uma empresa. Que lixo é o capitalismo. A pessoa falava merda na net, agora continua falando merda e ainda ganha.

O maior exemplo disso são os caras do Kibe Loco. Eles tê uma média de 100.000 acessos por dia. E agora viraram um quadro no Luciano Huck. Eles são responsáveis pelas mais hilariantes charges que circulam pela Net. A do Ministro Márcio Tomaz Bastos vestido de Padre Pinto é impagável.

No Aterro: essa galera da meia idade pra cima tá foda! São muito rápidos! Mesmo assim consegui ultrapassar uma galera.

Zenti, o que é malhar com um batalhão inteiro do Exército? Ter a visão de uns 30 homens correndo só de calção em sua direção logo de manhã é uma beeenção. Vários abdomens tanquinho. Injeção de testosterona na veia.

(PS: E ela Bruna vai fazer vestibular pra psicologia. Graças a Deus. O mundo precisa de mais gente que cuide de nós, malucos, do que de jornalistas, atrizes-modelos-manequins-apresentadoras - muitas, também garotas de programa. Não citarei nomes para evitar processo. Mais um ponto pra Bruna).

Estamos trabalhando há 5 dias sem chocolates e sem acidentes. Mais 24 horas.

26

de
abril

Outras mudanças

 

Poizé, né zenti…Mudei mais uma vez a cor deste blooog. "Clean" é o nome desse template. Igual a minha silueta daqui há alguns meses.

26

de
abril

Cara de pau para ser feliz

 

É preciso muita cara de pau, no bom sentido, para ser feliz.

Hoje estava vendo o programa da Ana Maria Braga (não me condenem, Mammy estava aqui, a TV estava ligada…eu posso me explicar) e tomando café da manhã pacatamente, quando uma história que eu inicialmente pensei de forma preconceituosa ai-meu-Deus–mais-uma-bobagem-dessa-mulher me chamou a atenção.

Tem um quadro no programa dela (acho que é um quadro), que eu não sei se é semanal ou diário, com o ex-BBB Jean Wyllys (eu posso com essa porra de nome?). Hoje ele mostrou a história de Natália, 23 anos, empregada doméstica, moradora de um bairro simples de Juiz de Fora (Bela Aurora). Como a história de muitos moradores de bairros pobres, ela não conheceu o pai e a mãe morreu cedo. Morava com a avó e o irmão. Natália sempre gostou muito de literatura, sempre escreveu poesias e na hora do vestibular passou para Letras, mas numa faculdade particular. Não tendo dinheiro para pagar o curso, ela resolveu trabalhar como empregada doméstica. Conseguiu se formar trabalhando nesta profissão. Além disso, ela sempre foi fã da escritora/atriz/cantora (sei lá mais o quê essa mulher faz) Elisa Lucinda. Tanto que um dia foi de carona pro Rio com um caminhoneiro e mais uma amiga só pra ver uma peça da atriz/poetisa. Perdeu a apresentação, mas ganhou convite para o dia seguinte. De quebra conheceu Elisa Lucinda.

Já formada foi chamada pra fazer um curso com a poetisa, no Rio. Tirou uma semana de férias no emprego e foi pra casa de uma prima em Irajá fazer o curso que seria em Ipanema, com dinheiro emprestado (Irajá é um subúrbio do Rio. Ipanema, um dos bairros mais chiques e caros do Rio, Zona Sul. Ambos distantes cultural e geograficamente). Primeiro dia de aula e a garota se apresenta: "meu nome é Natália e eu sou empregada doméstica e vim de JF fazer esse curso". A própria Elisa Lucinda disse que foi um soco no estômago da turma.

Posso imaginar o porquê: garota negra, pobre e do interior, chegando numa turma de cariocax dexxxcoladox, que fazem Letrax provavelmente na PUUUC, têm carro, faculdade paga pelos pais, malham na A! Body Tech, passam férias em Búzioxx etc. Não que eu ache que todas essas pessoas sejam esnobes, ou que o curso só tivesse pessoas assim, mas só tô querendo salientar a diferença de ambientes. Claro que não deveria ter nada demais essas supostas diferenças. Mas a gente sabe que não é bem assim. O mundo é cruel. Infelizmente a gente julga, muitas vezes, pela superfície das coisas. Não aparência, mas superfície: o que você é a primeira vista. Empregada doméstica. Estudante da PUC e por aí vai.

Bom, final da história: a garota ganhou bolsa de estudos pra estudar aqui no Rio; a Elisa Lucinda arranjou um emprego pra ela; um lugar pra ficar e a turma de “supostas patricinhas” (que eu também fui preconceituosa e precipitada ao julgar pela superfície) deu um computador de presente pra ela.

Nesse momento o requeijão light já se misturava com minhas lágrimas nada lights…

(Longo parênteses: Nelson Rodrigues dizia que em certos momentos ele tinha “vergonha de estar vivo”. Às vezes quando eu vejo pessoas vencendo adversidades muito maiores que as minhas eu tenho vergonha de mim. Dá vergonha de pertencer à raça humana. De ser tão fraca. De pertencer a essa latrina chamada Brasil e pensar em quantas Elisas Lucindas, Carlos Drummonds ou Albert Eisnteins estão morrendo nas favelas por falta de oportunidades. E eu não consigo pensar em muita coisa que mude essa situação. Mas não é sobre isso que quero falar hoje).

Acho que o caso de Natália é “um em um milhão”. A Ana Maria Braga vem com aqueles papos de “sonhe e você consegue”. A gente sabe que não é assim, né, gente? Já passei da fase de acreditar que “querer é poder” e que “tudo-que-eu-quiser-o-Cara-lá-de-cima-vai-me-dar” como dizia a Xuxa na minha infância. Mas acho que querer é o primeiro passo. E muito importante. Não decide nada, mas é fundamental você saber o que quer. Querendo já é difícil, sem querer, então…

Só que "querer" dá um trabalho danado. "Querer" fez essa garota sair de JF, ir pra Irajá, fazer um curso em Ipanema, à noite (nunca atrasava, nunca saía antes, nunca faltava), enfrentar o medo da violência, pegar dinheiro emprestado pra fazer o curso. Fez ela provavelmente se vestir em determinados dias e pensar “puxa, será que essa roupa tá legal? Tanta gente com roupas legais, lá…”. (Quantas vezes nos sentimos inseguros de chegar num ambiente novo e estranho? Quantas vezes pensamos “será que eu vou agradar?; será que sou bom o bastante?”. É um clichê, mas é a maior verdade: o seu maior inimigo é você mesmo. A gente se boicota o tempo todo, sem perceber e se perde num mar de "serás"). Deve ter feito ela às vezes não poder comprar um lanche no intervalo, porque tinha que economizar (o que só fez bem pra ela, pois, além de inteligente, sensível, bonita, ela é alta e maaaagra!).

Daí fiquei pensando: quantos “nãos” essa garota deve ter ouvido… Quantas pessoas dizendo “nossa, esse trabalho todo pra quê”… Quantas vezes a gente não faz uma coisa porque “não vai dar certo”, “vai dar muito trabalho”, “tenho vergonha”, “isso não é pra mim”,  ou ainda “mas nessa idade eu vou fazer isso”? Pra cada boa idéia que a gente acha que tem, existe sempre uma ou duas pessoas que vão dizer “que legal” e outras tantas que vão te ignorar (pois você não é o centro do mundo) e mais algumas muitas que vão rir de você e dizer que “é só uma fase”. E você tem que segurar na mão daqueles que dizem “vá em frente” e ignorar o resto. Às vezes nem é por mal, mas as pessoas te dizem coisas que te deixam pra baixo; que te fazem pensar “puxa, será que eu deveria estar tentando? Será que vai valer a pena?”. E mesmo que você consiga vencer seus fantasmas internos, vai ter que ralar muito (continua aqui embaixo óóó).

26

de
abril

Continuação

 

Tô falando isso também porque eu tenho sempre muita vergonha de mostrar meus textos. Esse blog me tira noites de sono. Pode ser “só mais um blog” pra muita gente, mas pra mim representa uma série de coisas que não vem ao caso. Acho que estou me expondo demais, sendo crazymente-woody-alleana demais - ou ana-maria-braganeana demais - que nem todo mundo pode entender…E aí toda vez que eu mando e-mails chamando as pessoas pra virem ler; toda vez que eu mando trabalho pra um congresso e escuto um “não”; toda vez que dou um conto pra alguém ler e esta pessoa não gosta; toda fez que falo uma merda em voz alta – mas que na minha cabeça fazia sentido - vem o diabinho dizer: “Pra que você foi fazer isso? Tem milhares de pessoas iguais ou melhores que você”. Aí só me resta engolir o choro e lembrar das palavras daquele poema do Kipling: “Se és capaz (…) de crer em ti quando estão todos duvidando e para esses no entanto achar uma desculpa (…) Se encontrando a Desgraça e o Triunfo conseguires tratar da mesma forma a esses dois impostores (…) és um homem, meu filho”.

Outra história que me vem à mente agora é sobre o meu pai. Meu pai era o filho homem mais velho numa família de 13. Morava em São Cristóvão, zona norte do Rio. Minha avó fazia marmitas pra fora e lavava roupas e meu avô tinha uma série de empregos flutuantes. Meu pai tinha que ajudar nas despesas de casa e a cuidar dos irmãos menores. Só que meu pai resolveu ter uma brilhante idéia: ser médico, depois de ver seu irmão mais próximo morrer de meningite por falta de cuidados num hospital público numa época sem muitos avanços médicos.

Daí ele trilhou um difícil caminho: continuar trabalhando, ajudando em casa e estudar. Teve vários empregos - como entregador de quitanda, assistente do meu avô no seu estúdio fotográfico, o "Galeria Artística de Veneza", e ainda fazia tipo um cursinho preparatório. Sem contar as longas noites de estudo. E ainda tinha que ouvir, em tom de pilhéria, de alguns parentes: “ih lá vai o Doutor. Vai ser doutorzinho, é?”, pois ele seria a primeira pessoa na família a ter um curso  superior. Numa época em que pouca gente tinha. E de Doutor. Começou a emagrecer, não dormia. Minha avó chegou a pedir pra que ele parasse de estudar, se não ficaria doente. Passou para o que hoje é a UERJ (que na época tinha outro nome). Tudo bem que eram outros tempos, o ensino público era bem melhor e a concorrência pra medicina não devia ser tão absurda como é hoje. Mesmo assim, foi um feito e tanto. Foi médico até que a morte o separou dessa sua paixão. Já pensou se meu pai tivesse prestado atenção nas piadinhas? Ou se tivesse dado ouvidos a minha avó que, mais do que ninguém, só queria o bem dele?

E foi aí que me veio essa iluminação, entre requeijões light, goles de café e Ana Maria Braga: pra ser feliz é preciso muita cara de pau. De ir lá, encher o saco das pessoas, dizer “ei, eu estou aqui, eu quero, me dá uma chance”; tentar depois da milionésima derrota, com todo mundo já rindo da sua cara; casar com menos de 20 anos e ouvir todo mundo dizer que “você precisa aproveitar a vida”; ter um filho e ouvir “nossa, mas já com tanta gente no mundo? Por que você não adota?”. Ou, ao contrário, fazer um aborto e escutar: “tanta gente querendo engravidar…por que você não tomou cuidado?”; fazer dieta pela milionésima vez… Largar a faculdade de direito no quinto ano pra ser músico… Não casar aos 35 anos só porque é o que todo mundo espera de você… É preciso muita cara de pau. Ou é preciso querer a tal ponto alguma coisa (ou não querer), que a desaprovação geral, a possibilidade de derrota e o “não” doam menos do que o "querer". E as pessoas falam. Ah, como falam! E é impossível não ouvir certas coisas em certos momentos e não se aborrecer. É bom ter a aprovação de quem a gente gosta. Mas é preciso entender também que nem sempre quem a gente gosta vai gostar das coisas que a gente gosta. E tudo bem.

“Querer” quase sempre implica em abrir mão da segurança. Tirar a rede de proteção. Pular em direção ao abismo. “Querer” é uma escolha, antes de tudo. Às vezes representa abrir mão de um emprego, de um casamento, de uma vida inteira onde você já se sente bem. Se você ficar olhando pra quantidade de empecilhos; “pessoas desnecesárias” da sua vida; nas roupas que você vai ter que parar de comprar pra economizar pr’aquele sonho; no “trabalhão” que aquilo vai te dar, você pensa: “ah, tá bom assim mesmo”. E às vezes dá vontade mesmo de nem tentar. Mas se você consegue ter a cara de pau (no bom sentido) de dizer “mas, quem sabe se eu fizer isso…”, “tive uma idéia”, considere-se já um vencedor. A maioria das pessoas não tem isso.

Pra ser feliz às vezes é preciso ser mala, falar o que não se deve, ser reprovado pela maioria e ligeiramente inconveniente. Mas é melhor ser mala do que ser triste, é ou não é?

Nem gosto tanto da Elisa Lucinda, mas não resisti terminar este texto com os versos que a Natália citou:

“Um dia, meu irmão, te direi: Não te disse? E serei a negra mais feliz do Brasil. Não serei imbecil, serei sábia e sutil na riqueza. Um dia, vou pôr a mesa que o mundo guardou para mim. Patroa e empregada do meu próprio festim!”.

Que o mundo tenha muitas Natálias…

[Pra quem ficou curioso: http://maisvoce.globo.com/variedades.jsp?id=10217]

26

de
abril

Evolução

 

No Aterro: hoje ultrapassei uma velhinha. Manca.

25

de
abril

Caminhando e cantando e seguindo a canção…

 

Outro dia de caminhada no Aterro sendo ultrapassada por velhinhas e senhoras.

Como diria Fernando Henrique: "assim não dá, assim não pode".

Uma senhora caminha (me ultrapassa, lógico) no Aterro e ainda por cima cantando músicas evangélicas em alto e bom som. Literalmente "caminhando e cantando".

25

de
abril

Cinco melhores empregos

 

Aproveitando a onda do "Alta Fidelidade" posto aqui o que eu acharia "os cinco melhores empregos do mundo". Convido vocês a fazerem o mesmo. Vale viajar no espaço e no tempo. Podem colocar um emprego só (se der muita preguiça).

1) Escritora com a vendagem do Paulo Coelho, o talento de Virgínia Woolf e o prestígio de James Joyce.

2) Intelectual foda pra caralho cujo pensamento mudasse a história da humanidade. Tipo, um Marx ou Freud, quem sabe?

3) Atriz de cinema em Hollywood nos anos 30/40/50, tipo Bette Davis, Greta Garbo, Marylin Monroe e Rita Hayworth.

4) Jornalista do Manhattam Conection, programa da GNT.

5) Correspondente na Europa de um programa semanal sobre cultura num GNT da vida ganhando o olho da cara pra assistir peças, ver filmes, ler livros e comentá-los para a plebe ignária.

 

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